TRAÇOS SINTÁTICOS DO PORTUGUÊS DO BRASIL
Alguns ASPECTOS SINTÁTICOS
O corpus coletado também possibilitou a identificação de alguns traços sintáticos que marcam o Português do Brasil, abaixo enumerados.
1) Dupla negação
(...) “Esse povo num acredita em nada ... hoje ninguém vivi como nós viveu (...) Ai resultado, ai eu peguei...não peguei nem uma piaba enrolei a tarrafa e vim mim embora...quando subi... eu digo vou pegar subida de piau que tinha (tapais) lá (a primeira) que era minha a outra d’um amigo meu...eu digo vou lá...num canal doido que tinha assim de piau...cheguei lá num rio lá de baixo não achei nenhum piau...joguei do lado de cima não achei nenhum piau...cheguei na outra não achei nenhum piau...ai ti. (...)
2) Onde ou aonde?
(...) brancona, branca, agora aqueles cabelão lá tudo assim ó e quanto mais eu apontava que eu mostrava pra a a a companheira, mais o mar zuava, né, mas um zuava que ele não vinha donde a gente tava e eu mostrando, mostrando... a lua estava tão bonita.(...) João (60anos)
(...) Deixei Dona Alvina andando pela beira do rio eu digo: a senhora vá e me espera lá onde a gente toma banho e eu vou por aqui por dentro do sequeiro.(...)
3) Utilização do “a gente” em substituição do pronome "nós.
(...) Mas disse que era bonita, uma menina bonita, viu?... Aí a gente viu... - o meu pai também contava, que passou num lugar e (acho que viu uma pedra e dentro da pedra, acho que a pedra parece que era assim "invurtava" não sei, né?)...Aí disse que tinha um gá:::um gá:::cantava que nem um galo, mas ninguém nunca viu, pelejava, nunca a gente pegou pra ver, mas num vê...era assim invisível. (...)
4) Redução das flexões
“(...) Uns mulequinho assim ó...então eles fica sentados...eles sentam enriba das pedras e fica...quando a gente fica olhando pra eles...eles “brum” den d’água...é...ai..e:: um tempão ai... eles pegou um homem e ficô um dia den d’água brincano com esse homem no fundo da água dentro do Jequitinhonha... foi o dia todo andando com ele...levano ele...levano ele...quando foi de tarde ele chegou num lajedo assim...e levou ele assim...até que ele botou a cabeça assim ó...e saiu fora...mas ficou um dia com ele den d’água...brincano com ele den d’água.(...)”
“Disse que aparece esse nego d’água ai no rio... mas num sei se é pa meter medo nos menino... pega nas perna dos menino... eu via gente den/d’água (dentro d’água)... que morreu den/d’água... via... como é? “
5) Concordância de número
Para SCHERRE (2005, 128) o uso da concordância de número está, diretamente, ligado ao uso de suas marcas explicitas. Tornando-se um aspecto particular na formação das frases dos falantes, o que a gramática normativa institui que todos os elementos, partícipes da frase, vão para o plural. A pesquisa, no entanto, nos mostra que o falante tende a levar apenas um elemento para o plural, como se apresenta, nos exemplos, a seguir das entrevistas.
[...] Quando nós chegou pra aqui era uma vida tranqüila... mas esse tempo não chega mais. [...]
[...] Existe muitos casos desses que acontece, sei lá. Existe muitas coisas nessa vida. [...]
(...) Diz eles que é um anão, um menino né? (...)
Nessas realizações, o artigo não concorda em numero com os substantivos, tornando-se um fenômeno naturalmente realizado pelos falantes na norma culta ou não.
6) Uso da preposição de em lugar da preposição a
(...) Acari comendo porque o acari sai pra comer de noite na... no horário deles... é vai eu pego aqui pesco ali quando eu cheguei mais adiante eu tornei a olhar pra lá porque meu marido me disse assim “ó se você ver qualquer coisa que você desconfie que não seja desse mundo se for na terra você abaixa rente com a terra que o que você ta vendo ta acima do chão. (...) Raimunda (62 anos)
O corpus coletado também possibilitou a identificação de alguns traços sintáticos que marcam o Português do Brasil, abaixo enumerados.
1) Dupla negação
(...) “Esse povo num acredita em nada ... hoje ninguém vivi como nós viveu (...) Ai resultado, ai eu peguei...não peguei nem uma piaba enrolei a tarrafa e vim mim embora...quando subi... eu digo vou pegar subida de piau que tinha (tapais) lá (a primeira) que era minha a outra d’um amigo meu...eu digo vou lá...num canal doido que tinha assim de piau...cheguei lá num rio lá de baixo não achei nenhum piau...joguei do lado de cima não achei nenhum piau...cheguei na outra não achei nenhum piau...ai ti. (...)
2) Onde ou aonde?
(...) brancona, branca, agora aqueles cabelão lá tudo assim ó e quanto mais eu apontava que eu mostrava pra a a a companheira, mais o mar zuava, né, mas um zuava que ele não vinha donde a gente tava e eu mostrando, mostrando... a lua estava tão bonita.(...) João (60anos)
(...) Deixei Dona Alvina andando pela beira do rio eu digo: a senhora vá e me espera lá onde a gente toma banho e eu vou por aqui por dentro do sequeiro.(...)
3) Utilização do “a gente” em substituição do pronome "nós.
(...) Mas disse que era bonita, uma menina bonita, viu?... Aí a gente viu... - o meu pai também contava, que passou num lugar e (acho que viu uma pedra e dentro da pedra, acho que a pedra parece que era assim "invurtava" não sei, né?)...Aí disse que tinha um gá:::um gá:::cantava que nem um galo, mas ninguém nunca viu, pelejava, nunca a gente pegou pra ver, mas num vê...era assim invisível. (...)
4) Redução das flexões
“(...) Uns mulequinho assim ó...então eles fica sentados...eles sentam enriba das pedras e fica...quando a gente fica olhando pra eles...eles “brum” den d’água...é...ai..e:: um tempão ai... eles pegou um homem e ficô um dia den d’água brincano com esse homem no fundo da água dentro do Jequitinhonha... foi o dia todo andando com ele...levano ele...levano ele...quando foi de tarde ele chegou num lajedo assim...e levou ele assim...até que ele botou a cabeça assim ó...e saiu fora...mas ficou um dia com ele den d’água...brincano com ele den d’água.(...)”
“Disse que aparece esse nego d’água ai no rio... mas num sei se é pa meter medo nos menino... pega nas perna dos menino... eu via gente den/d’água (dentro d’água)... que morreu den/d’água... via... como é? “
5) Concordância de número
Para SCHERRE (2005, 128) o uso da concordância de número está, diretamente, ligado ao uso de suas marcas explicitas. Tornando-se um aspecto particular na formação das frases dos falantes, o que a gramática normativa institui que todos os elementos, partícipes da frase, vão para o plural. A pesquisa, no entanto, nos mostra que o falante tende a levar apenas um elemento para o plural, como se apresenta, nos exemplos, a seguir das entrevistas.
[...] Quando nós chegou pra aqui era uma vida tranqüila... mas esse tempo não chega mais. [...]
[...] Existe muitos casos desses que acontece, sei lá. Existe muitas coisas nessa vida. [...]
(...) Diz eles que é um anão, um menino né? (...)
Nessas realizações, o artigo não concorda em numero com os substantivos, tornando-se um fenômeno naturalmente realizado pelos falantes na norma culta ou não.
6) Uso da preposição de em lugar da preposição a
(...) Acari comendo porque o acari sai pra comer de noite na... no horário deles... é vai eu pego aqui pesco ali quando eu cheguei mais adiante eu tornei a olhar pra lá porque meu marido me disse assim “ó se você ver qualquer coisa que você desconfie que não seja desse mundo se for na terra você abaixa rente com a terra que o que você ta vendo ta acima do chão. (...) Raimunda (62 anos)


Há há um segmento sociocultural grapiuna que, mesmo não residindo à beira dágua, a água é um componente fundamental na vida dele. Seja rio, fonte, cachoeira, lago, lagoa, regato, riacho, mar, praia. Para esse segmento, Água é um Arquétipo, que se reveste de inúmeras imagens arquetípicas. Daí, o transbordamento de um Imaginário riquíssimo que produz um conjunto de síbolos sem igual. Trata-se dos adeptos e fiéis de religiões de matriz africana. A águas moram neles. Consequentemente, tudo isso é farto na linguagem que eles utilizam, seja a verbal ou a simbólica. Que tal ampliar o trabalho para alcançar essa outra margem. Lembram da terceira margem do rio de Guimarães Rosa. Mas não posso deixar de parabenizar vocês pelo excelente e pioneiro trabalho. A nossa Região precisava disso. Um abraço de axé para a professora Marialda e seus alunos.Ruy Póvoas
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